27.11.08

Curitiba, me despeço!

Agradeço a ti de coração, cidade sombria, por toda a solidão que me deste e por todos os dias nublados e desoladores e pelo congelar dos olhares perdidos;

Isso tudo, foi muito importante pra mim.


Agradeço ao largo da ordem e sua magia (Imagem acima, meu lugar favorito aqui);
Agradeço aos mendigos de lá;
Agradeço aos vinhos Campo Largo;
Agradeço aos cupins dos pianos da EMBAP e os da própria EMBAP;
Agradeço a dona Zulmira por ir me retirar das salas às 23:00 extamente;
Agradeço as pedras do calçamento;
Agradeço ao bar 'O Torto';
Agradeço a Biblioteca Pública do Paraná;
Agradeço a Biblioteca da embap;
Agradeço a Casa Gomm (Imagem abaixo, meu segundo lugar favorito em Curitiba).



Apesar dos pesares, nada aqui foi em vão, aprendi a lutar pra escalar os poços de vazio interior que periodicamente me afundava e sempre, queda após queda, achar alguma centelha de ímpeto e vontade interna (a qual eu sempre encontrei na arte), creio que isso é fundamental na vida de qualquer um.

Mas, bem, apesar da própria cidade não me ser tão acolhedora, encontrei muitas pessoas queridas (principalmente na EMBAP)que jamais esquecerei, seres humanos geniais, com quem aprendi muitas coisas (Muito mais do que com os professores e livros inclusive) e que me foram muito acolhedores:

Kleber, Luiz , Giulianna Santos, Leonardo Langrafe, Fernando Fagundes, Marlos, Thilly Hanna, Júlio Drehmer, Lucas Moreira, Julio Mesquita, Leonardo Salgado, Hudson Müller, Tiago, Felipe Stoeberl, Jean Pscheidt, Jonathan, João Paulo Guntowsky, Igor Kovaliuk, Íria Braga, Evelyn Gonçalves.

E outros tantos que lamento não poder ter conhecido melhor, mas que na certa seriam grandes amigos: Daniel de Lima, Fernando Kulkamp De Souza, Luiz HRM, Roberto Froes, Rose Röslein, Dana, Gih, Rodrigo, Diego.

(Perdão se esqueci de alguém)

Agradeço também aos Mestres que tive aqui:

Carlos Alberto Assis (Harmonia e tudo mais que é possível)
Any Maria Stahl (Teoria da música e percepção musical)
Everaldo (Antropologia Cultural)
Fabiano Zanin (Violão e tudo mais)
Jaira Perin (Arte-Educação)

Algumas dessas pessoas citadas me deram conselhos que nunca esquecerei, alguns deles:

"O mais difícil é ser poeta"
- Fernando Kulkamp De Souza (queria ter tido o prazer de poder conversar mais com esse grande músico e pessoa).

"Tocar é ir degustando a partitura, compasso por compasso: Como vinho"
- João Paulo Guntowsky

"Eu gosto é de aproveitar o meu tempo ao máximo"
- Lucas Moreira


Mas, acima de tudo isso, agradeço a ti Curitiba pela saudade desesperadora que aqui senti da minha terra e das coisas que lá deixei.

20.11.08

Post não recomendado: muito vinho no sangue.




Salva-me mãe do céu, pelos pampas! Das profundezas do abismo de um mate amargo clamo por ti.

Estou inebriado, definitivamente inebriado.
Enclausuradamente inebriado.


Hoje, era para ser um dia normal, deprimentemente normal.
Dormi eram 00:00 acordei 13:00. Sonhei com não-sei-o-que.


Às 19:00 teríamos ensaio, na 'belas'... Mas, como num passe de mágica eu chego lá e dou de cara com uma grama verde (que Vitor Ramil cantara) de cara largo: "genial, genial!!!!!!!!!!!"

Isso tudo já alterou meu estado de consciência... Depois fui andando pela escola, vendo os magníficos trabalhos do pessoal do cusro de gravura, no meio do corredor eis que encontro uma pessoa querida. Ela me apresenta seu belo trabalho numa porta que se tornou mágica no corredor velho da belas.

Depois eis que vejo alguém chamando meu nome de dentro da sala de exposições...

Adentro a magnífica e velha ( e caindo aos pedaços) sala...

Encontro meus caros e impagáveis colegas!

Todos se lembraram de mim na ocasião...

Havia uma bela exposição onde estavam distribuindo uma bebida, a mesma pela qual herdei um apelido deveras muito justo. boca-negra.






Pois estavam distribuindo vinho na ocasião... Aí começou tudo:

Eu me encontro, neste momento, escrevendo essa postagem tão inebriado quanto jamais Baco esteve! Tão incerto do meu futuro quanto jamais estive e tão bêbado quanto lobo da costa morrendo na carroça.

Lembro de poucos momentos nessa noite...

Em algum momento requisitei uma sala na secretaria da escola, fui-me tocar piano.

Não conseguia tocarnem a escala de Dó! Estava perdido entre clusters (era o que eu podia tocar) e devaneios do vinho quando adentra a sala um bom amigo, o mesmo que me apresentara um emocionante e genial disco, talvez o maior da história da música brasileira: PAÊBIRÚ do colossal Zé Ramalho da Paraíba!

[Ah, alheio a isso: estou com um corte no cotovelo que nem imagino como consegui, talvez seja fazendo clusters no piano da 17 A]

Esse colega, caro, diz-me que estás indo embora e que achou legal o que eu estava tocando e advertiu-me que toda a escola estava ouvindo (A escola é de madeira, tomada de cupins, isolamento sonoro nas salas inexiste).

Algus tenpos depois estou eu tocando alguma dança pampeana repleta de clusters e dissonâncias... E depois vem alguém me dizer que devia ir embora.

23:45 da noite, pouco tempo desde às 19:00. Mas intenso tempo, tão intenso quanto jamais Einstein imaginou.

Estou lutando contra mim mesmo, tenho de me encontrar de novo: Voltarei pra minha terra, lá me encontrarei.
Lutar dentro de si mesmo: Eis a luta mais vã!

Estou em farrapos, não quero estar muito acima disso, mas ainda me reerguerei.

Um abraço, sincero de de coração a todas pessoas queridas que sentem algo por mim.




No mais, estou indo embora: é tempo de mudança, ei de me encontrar na simplicidade de uma loucura estrelar.

Vinho, Pink Floyd, Frio e coxilha à todos!
[ps: lembro de ter escrito isto numa das obras de arte interativas do pessoal das visuais]

17.11.08

Milonga de Mil Colores



____________________________Nenito Sarturi

"...
Os duendes das labaredas
Com seu encanto e magia
Desnudam os véus e sedas
Ao desposar a poesia

Milonga de Mil Colores
Que aquece e clareia as noites
Vem abrandar minhas dores
E me livrar dos açoites
Milonga de mil matizes
Que empresta a beleza às flores
Vem fechar mi'as cicatrizes
E me arrancar dos rancores

...

Enquanto a noite desliza
Pontilhada de luzeiros
A luz do canto eterniza
O lume de seus candeeiros

E quando a barra do dia
Espreguiça seus albores
Desfaz-se o tom de magia
Descortinando os labores
É a vez de encarar a lida
Que também tem seus encantos
Pra os que enfrentam a vida
Sem queixas, mágoas e prantos"


Que saudade da minha terra! Agora, quando eu voltar, não quero nem saber: vou me sumir no campo e tornar a ver tudo isso.

14.11.08

MSN: Conversa com uma pessoa querida.

Ela diz:
sonhei com vc!

Ela diz:
te disse?

Alberto diz:
Ahh sim!!

Alberto diz:
Que coisa! E eu sonhei que tinham um monte de zumbis numa celebração de
páscoa no pátio da minha casa

Alberto diz:
Ou algo assim

Alberto diz:
hauhiauhiauhiauha

Ela diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Alberto diz:
Mas diga, como eu apareci no seu sonhar?

Ela diz:
foi muito legal...

Ela diz:
sonhei que tinha viajado para um lugar que eu não sei onde é.

Ela diz:
mas acho que é era sua terra ( de tanto vc falar nela)

Alberto diz:
:)

Alberto diz:
Noooossa!

Alberto diz:
Incrível.

Alberto diz:
Prossiga

Ela diz:
A única coisa que sei é que tinha um céu maravilhoso!

Ela diz:
MARAVILHOSO

Alberto diz:
*_* Sim!

Ela diz:
parecia que a gente estava observando o universo bem de perto!

Ela diz:
do tipo que se estendesse a mão pegava as estrelas!

Alberto diz:

Ela diz:
eram enormes num ceu bem escuro! lindo...lindo!

Alberto diz:
Que sonho! Que sonho!!!

Ela diz:
foi isso!

Ela diz:
o céu estava tão perfeito que não saiu da minha cabeça até agora!

10.11.08

Ilex Paraguarienses.

Essa infusão pampeano-guaranítica tem se feito uma constante na minha vida.

Mas advirto: Beber mate, pra mim, não é simplesmente beber mate.

É muito mais;

É algo até mesmo ritualístico, muitas vezes, sorvendo a erva eu eu me sinto livre, é como encontrar o fluir do espírito da natureza pampeana, é insdescritível! talvez não seja por acaso que seu acabamento quase sempre lembra uma coxilha, vejam com seus próprios olhos o mate que tomo agora mesmo:



Então vejam, senhores, as formas da natureza da minha terra:



Não é semelhante!? A arte imita a vida!

Se tem uma virtude com que o ser humano foi realmente abençoado ela é a criação, a capacidade de transmutar as coisas da natureza, seja da natureza exterior ou da natureza interior, para trabalhos quotidianos. Essa virtude, a inventividade - a criação - se faz tão constante que nós, na maioria das vezes não nos damos por conta. Somos artistas e nem percebemos.

E pra mim, tomar mate é arte!

Um abraço, pampeanos!

7.11.08

Enquanto isso, na 54ª feira do livro de Porto Alegre:



Drummond: Veja! Achei esses zines aqui na feira, tem poemas muito inspirados e contos assustadores sobre a história do seu estado.

Quintana: Ahh, sim! São do fim, já conheço, estão há horas circulando na feira... Muito bons!

Drummond: Olha esse trecho aqui:

"Todos lentos e cansados
como sangues de lábio em asas
como aves e névoas em taças..."

Quintana: Barbaridade, que rapaz atormentado!
Quintana: Tinha um que falava assim:

"Nas asas do fim de tudo que foge
nas vozes tormenta longa distante"

...