30.9.08

Um pouco de My Dying Bride.



Uma prova do valor musical do Rock(nesse caso, metal) pesado, ou como preferirem: extremo.

O que a banda britânica My Dying fez merece ser considerado e destacado das milhares de outras bandas que tem na cabeça que para fazer um som devastador - como o My Dying Bride fez e faz - basta simplesmente juntar quatro ou cinco malucos numa banda de garagem e sair gritando forte e fazendo barulho.

Para se fazer refinado e primoroso, tem que se estudar música: falo de música erudita, ou ter um extremo bom gosto (que, de qualquer forma, é difícil - eu diria impossível - de ser obtido sem o estudo profundo da música em si, seja qual for sua vertente).

Nota-se muito disso no My Dying Bride, separei alguns pontos:

.Vozes melódicas trabalhadíssimas, esculpidas com primor. Seja na voz, nas guitarras ou no violino. (as linhas de bateria são igualmente bem tratadas)

. As linhas melódicas sobrepostas em um refinado contraponto que aparecem em vários momentos na obra deles.

. E o equilíbrio instrumental da banda, como um todo: Nenhum instrumento em parte alguma é usado para encobrir uma falta de criatividade em outro. (E isso é de fato uma das mais importantes qualidades na composição musical) - Qualidade presente em, por exemplo, quartetos de cordas de compositores talentosos.

. O uso de modulações (mudança de tonalidade durante um trecho músical), o que podemos observar em casos distintos, como à que aperece aos 5'40 da música "Your River" segunda canção do primoroso "Turn Loose The Swans" cuja capa ilustra esse post.

. E a mais importante característica da banda: As mudanças bruscas de andamento e dinâmica, o que eles faziam com a maior maestria possível.
Um poderoso artifício de composição, um dos principais fatores que ajudaram Ludwig van Beethoven a trazer os tormentos do romantismo para a música, tornando-se assim o maior gênio da história da música.

Estes são apenas alguns fatores dentre muitos outros que me fazem destacar o My Dying Bride das outras bandas do mesmo estilo.

Fica para vocês leitores o vídeo da belíssima música Symphonaire Infernus et Spera Empyrium, o primeiro single da banda do ano de 1990.



Para muitos - isso é normal - se trata apenas de ruído.

Isso por ainda serem literalmente ignorantes musicais e não terem uma vivência musical suficiente para distinguir os reais valores que foram citados e que deveras existem e são muito concretos!
Quero que fique claro que não estou falando aqui que todos que não gostam dessa banda são ignorantes, eu mesmo seria um se dissesse isso. (Não que eu não seja também, todos somos em certo ponto).


Os valores imateriais dessa banda eu nem preciso citar, por serem inexprimíveis por mim, um rapaz que não tem o dom de pôr as coisas no papel.

Mas digo que considero esses valores ocultos até superiores aos materiais que acima citei: é arte na essência!


Fica a dica:

Apague todas as luzes, fique no escuro total e ponha pra tocar em um volume agradavelmente forte o álbum "Turn Loose the Swans", cuja tétrica arte ilustra esse post.
Ouça deitado e em concentração total.

Aqui está o link pra download do álbum: http://rapidshare.com/files/5789642/Turn_Loose_The_Swans.rar


Aviso:


Pode ser uma experiência perigosa se você não for forte.

27.9.08

Rock and Roll

As linhas que seguem me foram inspiradas ao ler um post de um blog que menosprezou de forma preconceituosa este grandioso movimento.


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Vamos começar.

Abro um parêntese para um pouco de história da música.

# Séc. XIII.

A música dos intelectuais (que na época correspondia ao clero) é basicamente o canto gregoriano, forma musical muito simples, que consistia de uma simples voz, ou no máximo duas, mas uma delas muito simplória.
Alheios aos intelectuais os trovadores começavam a adicionar mais uma voz ao canto gregoriano, criaram o moteto que foi a base para a exuberante polifonia renascentista de tempos adiante. Porém, em seu tempo, foram perseguidos embora a importância deles para a música (e até mesmo, deves saber melhor que eu, para o desenvolvimento das letras) é incalculável.
Ou seja: a música dos intelectuais precisou da música popular pra evoluir.

# Séc. XII.
A igreja por fim aceitara a beleza da polifonia já há algum tempo em suas músicas. A ousadia agora era outra. Começaram a usar danças vulgares e populares na música de concerto, isso foi considerado um absurdo nos salões nobres, os intelectuais repudiaram.
Mas o fato era que a contribuição rítmica para a música dessas danças é incalculável.
Ou seja: a música dos intelectuais precisou da música popular pra evoluir.


# fins do séc. XIX.
O movimento nacionalista fazia os compositores buscarem inspiração nos sons e danças mais populares e primitivos de suas terras, Liszt, Dvorák, Villa-Lobos (No Brasil), etc.
Ou seja: mais um movimento “erudito” que não seria nada sem a inspiração popular.

# Início do séc. XX.
Stravinsky escreve a genial “Sagração da Primavera”, o concerto inicial foi absurdamente polêmico; a platéia, composta por muitos intelectuais e críticos, vaiava de forma desenfreada a orquestra já nas primeiras melodias.
Por que? Porque essa obra é de audição muito difícil, é composta por politonalidades e polirritmia, este último, recursos que certamente Stravinsky foi buscar na cultura africana.
O papel de Stravinsky na música do séc. XX é absurdamente importante.
Ainda hoje poucos se aventuram a ouvir as dissonâncias que surgiram em obras como essa, mas, mesmo assim é mais um exemplo de inspiração popular na música que os intelectuais de hoje ouvem e que foi repudiada de início pelos mesmos.

Fecha parêntese.
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Finalmente a questão Rock and Roll.

Eu pergunto.

Será que o Rock de bandas como Pink Floyd não inspirou centenas de jovens compositores do fim do século ajudando dessa forma a formar o movimento elitista musical dessa época? (Ou seja, exatamente da forma que acontecera nos eventos citados acima).

A resposta é sim, obviamente sim.

E quanto ao rock pesado e extremista contemporâneo, de bandas como Krisiun (Banda gaúcha de Ijuí que ganhou o mundo), Sepultura (Banda mineira que o fez da mesma maneira), My Dying Bride (Britânica) e a própria Anlis do meu amigo Marcus (que faz um belo trabalho mesclando arranjos eletrônicos ao som de guturais e guitarras distorcidas, vale a pena conferir: www.myspace.com/gothicanlis ).
Será que essas bandas de rock que surgiram alheias à elite intelectual não andam influenciando milhares de jovens compositores modernos que construirão a música futura!? Será!? Será!? Será!?

Novamente;

A resposta é sim, definitivamente sim.


E por que tenho tanta certeza nessa afirmação?



Porque sou um destes.
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Ah! Abro parêntese para mais uma coisa que devo considerar quanto ao post que me inspirou.

O autor nele faz uma comparação colocando o Rock ao lado da música de Beethoven, Villa-Lobos entre outros compositores:
Cita que nunca o rock chegará ao nível artístico deles.

Mas isso já sabemos, está claro, claríssimo.

Porque é outro contexto, estamos no século vinte e um, não por acaso queres que a a nossa música seja como a de duzentos anos atrás, não é!?
Ela mudou muito, e não está melhor nem pior, pois essa definição inexiste no que eu entendo por arte. Fecha parêntese.

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Compreendo que 'digerir' os sons de bandas como essas que citei acima é, de certa forma, tão difícil quanto admirar a música de concerto vanguardista. Para ouvir essas coisas temos que em primeiro lugar deixar o preconceito de lado - coisa que a elite intelectual, como prova a história das artes, sempre foi lenta pra fazer -.

Faço outra pergunta, será que o gênio Ludwig van Beethoven, ouviria rock caso ouvesse nascido no século XX como nós?

Apostaria a alma que a resposta seria positiva.

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"O artista habita o território da ausência suprema de metas"
-Arnold Schoenberg.


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1.9.08

Fé em fim.

___________________________Alberto Ritter Tusi

Envolto estou, neste momento, num emaranhado de sonhos-delírio envoltos em explosões de insônia aguda, mal de graves e ilex paraguariensies.

Eu sinto todos os tormentos das paixões e desastres do mundo ecoarem no meu peito.

E entendo cada vez melhor o porque de Beethoven ter decidido viver, viver pela tempestade.

Tocando nesse assunto, vou ouvir a Eroica daqui há pouco no teatro guaira, sem dormir obviamente. Se eu não passar de hoje, não me admiraria.

Acho que realmente os sinais estão começando a aparecer.
E a chuva molha os justos e os injustos.

Sinto que meu bom amigo dos escritos malditos nunca esteve errado.

Vivencio neste momento, ou melhor: tenho fé, no velho trecho da canção gaúcha:"Não vai ficar pra semente quem nasceu pra ventania".

Me sindo cada vez menos são, surtos de loucura... etc.
A Mesma loucura que consumiu com Edgar Allan Poe.


Alberto Ritter Tusi,
Curitiba, 31 de Agosto de 2008

07:51