sábado, 21 de novembro de 2009

Alucinação







Hoje
componho adentro ao temporal
desperta minha pupila
pequena ilha de lágrima
desesperadamente pequena

Hoje
componho desde tanta gente
agoniada, sufocada, isolada
num tempo ainda presente
de gente que ainda construímos
a chuva do verão
com um pouco de poeira no canto da boca
éramos tantos à frente do vento irisado
éramos como um clarão de olhos dentro da noite

Hoje
escrevo e é amargo
minha cabeça é um comboio
de feras disparando
com explosivos
vivos
e minha sorte é um mastro de mar
que da morte ausento
aos tapas

Hoje
há muitos dias de distância
a vida é onde abraço
a íris de um tempo gris
apenas a poesia é minha lei
navegando tudo o que sei
o que nos olhos funde
o que de outro olho fica
como encanto

A lembrança aberta nos retratos
(mudo silêncio fotográfico)
acende algum teto subterrâneo
com uma lamparina
algum pátio se acende
com uma luz pequena

Hoje
há muitos dias de distância
sei que ficou a pulsação cardíaca
que são vozes, passos acelerados
movimentos debaixo da pele





_Luiz de Miranda

domingo, 1 de novembro de 2009

Solidão.



"Pensei ter esquecido a luz acesa
no quintal
tal
a beleza do luar.
Acordei. Cruel engano!

Quisera ter ficado a vagar
no vale escuro dos sonhos
nesta noite fria.
Se não estás, de que me vale
toda essa cintilação
vazia?"

_T.L. Tusi

E hoje o pôr-do-sol é dentro de mim.

Nuas luas pendem doces
dos crepúsculos nos rubores.

Sóis mergulhados nas ruas portenhas
Das esferas os tempos alinhados

Tudo tende ao amor
E hoje o pôr-do-sol 
é dentro de mim.

E mais uma vez
Na ciranda dos tempos das vidas
A Brisa me pega a mão

E ruflam os ares
No campanário do templo
feito sobre os tempos:

A Música, meus caros.
Que ela me leve.

É só o que peço.

sábado, 24 de outubro de 2009

Concerto Música da POA: Performance + Imagem

Nesta quinta, dia 22,  tive a oportunidade de ir à um dos melhores eventos de música que já assisti: O concerto de temática "Performance e Imagem" do projeto Música de POA,  já citado aqui, organizado por um seleto, esforçado e talentoso grupo de compositores do instituto de artes da UFRGS. O concerto foi no auditório do Centro Cultural Érico Veríssimo na rua dos Andradas (local onde fui à uma simbólica palestra com Vitor Ramil citada nesse post).

Avante,

Na chegada do concerto tive a honra de ter que esperar um pouco pois o pessoal estava com alguns problemas técnicos. Nessa hora tive a oportunidade de poder trocar algumas palavras, mesmo que poucas, com uns conhecidos músicos que ali também com tranquilidade aguardavam. Na minha insignificância aproveitei principalmente para ouvi-los.

Adentrando o auditório, eis o concerto.



Abriu-se com um dos grandes pensadores e músicos do RS, o nosso caro mestre Fernando Mattos. Sobre uma filmagem "Narrativas do Litoral Sul: o Faroleiro" de Andre Severo que deveria ter uma narradora. Ouvimos uma composição para viola com ares sertanejos e sonoridades refinadas rebuscadas em elementos percussivos e nos harmônicos dos sons que deram uma vida muito mais lívida à sofreguidão do vídeo. Ah, vale ressaltar que na falta da narradora que não pode estar, o próprio fernando narrou o texto, muito bem. Eu só queria saber se a composição da viola foi escrita antes ou improvisada enquanto ele narrava o texto ao vivo escondido na câmara de som do auditório. Grande Fernando Mattos.  Ainda hei de aprender muito com ele.

Seguiu-se com a cômica peça com ares performáticos "Siglas" para vozes em canto-falado de Martinês Nunes, a qual eu já ouvira na mostra de música contemporânea que citei neste post.

Agora sim. Uma das coisas mais sobrenaturais que eu tive a oportunidade de assistir nessa bela cidade:

"QUADROS"

Cuca Medina: voz e acordeão
Marcello Villena: performance cênica
Rodrigo Avellar: sons eletrônicos ao vivo
Ulisses Ferreti: flauta doce e voz

Um conjunto perfeito: A Cuca é uma das pessoas mais musicais que eu conheço, já citei aqui a honra que tenho em tê-la como monitora na disciplina de composição musical. O Marcelo, baita compositor, argentino, um dos principais organizadores do projeto. O Ulisses, compositor uruguaio que já falei dele no post referido à mostra de música contemporânea, que é um projeto da Cuca, Etc.

Com esses talentosos artistas só podia dar no que deu: Uma música arrebatadora e riquíssima em vários aspectos: tímbrico, dramático, formal, espacial, etc. Das melhores que eu ouvi em algum tempo! Não vale a pena eu tentar descrever aqui, quem esteve lá foi, quem não esteve, perdeu.


Fechando o concerto,

"Sonho Desperto"

Composição, performance: Alexandre Fritzen da Rocha, (Outro organizador do evento).
Vídeo, performance: Mariana Konrad

Sobre um vídeo, performance e música eletrônica instigante com trecho central de improvíso musical livre em palco dos dois performers: O próprio compositor (Escaleta) e Mariana Konrad (creio que um pequeno metalofone). Inicia com ambos entrando caminhando de costas um de cada lado da platéia e dizendo palavras retrogradadas que no vídeo apareciam sendo escritas em sua forma correta. Chegando ao palco começou o improviso livre (Lembrando sempre do instigante vídeo e sons eletrônicos ao fundo), depois cada um desce do palco e sobe pelo lado contrário do que veio dizendo as palavras desta vez corretamente. Um baile de simetria e proporcionalidade do discurso dramático cênica e músical.

Enfim, um prazer desfrutar destas coisas, agradeço muito ao esforço e talento do pessoal do música de POA.

Ah! Outro excelente concerto de música nova que fui foi dia 15, recital de mestrado de outro baita compositor destas ruas de Porto Alegre: Germán Gras, outro argentino.

Que coisa fina a música desse cara! Sonoridades belíssimas que eu nem imaginava. Devia eu criar outro post só pra este concerto. Mas não vale a pena pois não conseguiria descrever, assim como não consegui descrever este mesmo. Escrevo mais com o intúito de demonstrar quantas garrafas estou bebendo de arte nesta cidade. Quero agora encontrar o caminho da humildade pra conseguir também fazer o meu insignificante trabalho perto de todos esses talentos grandiosos citados acima.

Era isto.


Um abraço Allegro-Portenho.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Artes: reflexão intuitiva.

A Pintura em duas dimenções com a 'divindade' da perspectiva, como por alquimia, nos leva no seu mundo singelo o espaço dos mundos esculturais em 3-D sem sair de seu mundo;

A Escultura em três dimensões quando abriga o viver dos homens se torna Arquitetura que nos leva aos nossos tempos (4D) que nos são confortados (sem deixar o mundo mundo 3D);

A Música que se escreve no tempo da quarta dimenção, para onde pode nos levar!?



Na luta da vida e dos céus é muito esclarecedor compreender que Arte é alquimia pura e que dominar e compreender suas técnicas é também poder transcender-se e elevar-se como ser.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Arquitetura Metafísica

.








Arquitetura, mais alta das Artes.
Co' a música de mãos dadas.


Doce antagonismo!
Sutil dança de auroras:


morar no espaço que conforta as eras,
em habitar os tempo que enlouquecem as massas.








_Sobre a imagem.
A CATEDRAL DE BRASÍLIA. 


Projetada por Oscar Niemeyer, foi inaugurada em 1967. Sua construção consumiu 12 anos, devido à complexidade do projeto. A nave circular está abaixo do nível do solo. Para chegar até lá, o visitante percorre um túnel de piso e paredes negras, que desemboca num local de penumbra, chamado de zona de meditação. Concluído o trajeto, depara-se com a esplendorosa nave, iluminada por luz natural captada por vitrais de Marianne Peretti. O ovo representa vida; o azul, o útero. Os anjos, dispostos em diagonal como se estivessem em vôo, são os da Anunciação. - 


_Sintam isto (um pouco) na pele. (Recomendo que tirem o audio)
 




Estou trabalhando pra ir à Brasília, decidi isso há alguma horas. Pra, se os puros céus azuis do cerrado desejarem, fazer este percurso do vídeo acima verdadeiramente. Por enquanto, aqui dos céus Porto-Alegrenses deixo um abraço pra duas pessoas que me são sempre gentís em todo momento que pretendo visitar em breve em Brasília: a minha querida Fabiana, de especial amizade; e meu grande e caro primo Inácio.

Goethe, sempre genial.

FAUSTO: Que exiges de mim, maligno espírito?
Papel ou pergaminho? Bronze ou mármore?
Que escreva com cinzel, buril, ou pena?
Deixo-te livre a escolha.

MEFISTÓFELES: Por que hás
a tal ponto empalar a tua facúndia?
Qualquer papel nos serve, se assinares
Com um pingo de sangue...

FAUSTO: No capricho
Consinto, se com ele te contentas.




MEFISTÓFELES: É o sangue um licor especialíssimo.